Porém, eu tenho problemas com os Slytherin. Pensou, em silêncio. – Também não sou a pessoa mais sortuda. – Respondeu Lucy, abrindo um sorriso envergonhado, mas sincero. Principalmente no amor. Voltou a falar consigo mesma, aproximando-se do leito da companheira de turma. – É um livro trouxa sim. – Comentou, sobressaltada, enquanto observava a loira arrancar-lhe o objeto das mãos. Identificando a empolgação da outra, a Corvina conseguiu achar graça, um pouco mais a vontade. – Pode ficar contigo, se quiser, é claro. – Ofereceu com alegria. – Eu adoro romances trouxas, na verdade, eu amo romances de qualquer tipo, esse é um dos meus preferidos. Conta a história de uma menina do interior que acaba se apaixonando por um cara mais velho e super famoso. - Explicou, exibindo a própria empolgação.
A loirinha não parecia constrangida com a presença da pequena, pelo contrário, ela falava como se ambas fossem grandes amigas. – Casar com um trouxa? Talvez. – Resmungou mais para si mesma do que para Burbage, enquanto pensava no Monitor. Seu coração batia com mais força toda vez que o encontrava. Lucy viajou, pensando no jovem e por um momento, esqueceu-se da outra. – Aconteceu algo? – Perguntou assim que voltou a fitá-la e identificou o sorriso dela morrer nos lábios. – Está sentindo dor? – Continuou, olhando ao redor da enfermaria em busca da curandeira.
Um pouco concentrada na janela reluzente da Ala Hospitalar demorou alguns segundos para perceber que a falta de alegria assustou Lucy. Tomando consciência segurou a colega pelo braço para que não chamasse a curandeira outra vez. Tinha certeza de que se esta retornasse provavelmente falaria mais chatices para a loirinha. Charity retomou o sorriso que havia se esvaído de sua face mínima deixando as covinhas ficarem mais salientes. – Estou bem! – Exclamou dando uma risada simpática quase caindo da maca para que a outra mocinha de cabelos castanhos não fugisse. Quando esta retornou manteve a calma. – Eu gostaria muito de ficar com o livro se não se importar… – Falou corando levemente. Talvez estivesse sendo muito ousada aceitando o que Lucy oferecia. Afinal, Lucy poderia muito bem estar sendo apenas educada. – Eu não posso recusar coisas trouxas no momento. – Afirmou com um sorriso mais sutil. Era a mais pura verdade. Seus pais quando vivos geralmente compravam alguns livros trouxas e enviavam para Hogwarts, assim a moça poderia matar a curiosidade pelo universo não-magico enquanto permanecia no colégio. – Então, gosta de estórias de amor? – Perguntou simplesmente segundo o livro das mãos de Lucy e mudando discretamente de assunto, já que o mesmo se dirigia para uma direção triste demais para prosseguir.
(Source: muggleheart-n-soul)

Charity Burbage and another ravenclaw student.
(via lamer-et-lalune)
Não pôde discordar quando ouviu as palavras de Charity. Ela era realmente uma das poucas pessoas nesse mundo que entendiam perfeitamente bem como a mente de Lisa funcionava. Depois de tantos anos de convivência, a saberia era recíproca, claro. Mas vez ou outra, ela preferia que a amiga não a conhecesse tão bem, pois muitas vezes a mesma a fazia enxergar a realidade quando tudo o que a ruiva queria era fugir dela. Escutou em silêncio tudo o que a garota tinha para falar, e acabou soltando uma risada baixa e sem humor. — Você realmente acredita nisso? — Perguntou com um tom de descrença. — O Dirk não é assim, nós duas sabemos disso. Ele não quer uma vida desse… Estilo. Ele tá muito bem com a vida que tem. Ele não quer mudar e sossegar, então dificilmente isso vai acontecer. — Deu de ombros. Talvez, se a vontade do loiro fosse diferente, ajudaria um pouco naquela situação toda. Mas afinal de contas, por que Lisa ainda falava sobre ele como se considerasse ter ou sentir algo pelo garoto? — Eu sinceramente não sei porquê você insiste em falar nesse assunto. — Deu a entender que apenas Charity gostava de falar sobre ele, o que era uma total mentira, pois de certo modo, o assunto também agradava a Lisa. — O que aconteceu entre nós dois não foi absolutamente nada. Só me deixou balançada nos primeiros dias porque… Bom, foi um quase-beijo né. Mas agora não tem motivo nenhum pra falar sobre isso. — Pegou o pote que a amiga lhe estendeu, em seguida medindo e deixando que apenas a quantidade necessária ficasse dentro do mesmo. Despejou tudo no caldeirão, mexendo com a colher por algum tempo, no sentido anti-horário, como as instruções pediam que fosse feito. Fez uma careta de nojo ao ouvi-la, e depois soltou uma risada. Aquela poção estava valendo à pena demais. Lisa só esperava que isso não fosse em vão. Pela última vez, trouxe sua mochila para perto e tirou de lá os ingredientes necessários agora. Despejou os três pedaços de Ararambóia no caldeirão e recomeçou a mexer. Finalmente, pensou. Finalmente isso está acabando. Aos poucos a poção ia adquirindo uma tonalidade amarela, e isso deixou Lisa um pouco aliviada, digamos. Se a poção não desse certo, todo aquele esforço que elas tiveram teria sido em vão, e não seria nada legal caso isso acontecesse.
Após instantes fitando a pasta nojenta que Lisa misturava resolveu se sentar no chão de mármore para que a ânsia de vômito passasse. Cruzou as pernas pequenas sobre o chão frio e pegou o exemplar “Estudos Avançados no Preparo de Poções” que possuía passando os olhos pelos ingredientes para ver se estava tudo correto. Charity dissimulava que sua atenção estava totalmente direcionada à poção que preparavam enquanto ouvia Lisa pronunciar um longo monólogo que a fazia parecer simplesmente mais confusa. Era mais do que visível que naquele momento Lisa tentava na verdade falar consigo mesma e discursar sobre o quanto um relacionamento com Dirk era inviável. Desprezando as palavras da amiga continuava a passar os olhos pelo livro tentando, agora, relembrar tudo que haviam feito na esperança de que seus sonhos fossem acabar e que, assim sendo, a poção fosse um sucesso. Quando começou a ler a área do livro que dispunha das instruções de preparo percebeu que, por hora, desistia impulsivamente de ler para reavaliar as palavras da amiga. “Absolutamente nada…” dizia a voz suave da ruiva em sua cabeça. Sua face estava abaixada para o livro e coberta pelos cabelos claros quando a loirinha esticou os lábios exibindo o sorriso brilhante que possuía e custava a mostrar após as traumatizantes torturas que supostamente havia sofrido. “Quase-beijo.” Pensou. Estava aí uma coisa a qual alegrava Charity. Coisas pequenas como o sentimento que poderia vir a existir entre Lisa e Dirk a faziam sorrir. Tanto quanto passar o tempo ocioso com a grande amiga para realizar uma tarefa tão complexa quanto preparar uma poção. Ou ouvir as melodias dos sereianos do Lago Negro, ou roubar tortas durante a noite com Héstia. Frequentar as aulas de Estudo dos Trouxas ou apenas captar o perfume de terra fresca e flores dos terrenos do castelo. Rir, tomar um banho morno e, agora, felizmente dormir em paz. Coisas simples a deixavam feliz, deixavam seu sorriso reluzir.
- Bem, eu já disse qual é a minha opinião. Mas, já que prefere realmente mudar de assunto… – Falou erguendo as sobrancelhas com uma feição desgostosa. Sabia que no fim Lisa gostava de falar sobre Dirk. Mas, desistindo da moça percebeu que havia mais a ser feito que discutir sobre algo que apenas o tempo iria mudar. Colocou o livro para o lado e se ergueu com um suspiro. O sorriso estava mais singelo, mas ainda existia. Observou Lisa colocar os três pedaços de Ararambóia na poção e colocando os cabelos para trás se aproximou do caldeirão de estanho. Seu interior recheado com a pasta mal-cheirosa fervia intensamente. Mordeu os lábios. O que seria de si mesma se aquela poção falhasse? Dias de preparo, horas de concentração e noites que continuariam péssimas. A substância demorou a mudar. Charity já estava ficando completamente desanimada. “Apenas tempo perdido…” pensava com raiva de si mesma pela ideia estúpida. Virou os olhos e respirou fundo. Lisa começou a mexer cada vez mais o líquido e, felizmente o tom estranho começou a ficar mais amarelo e a pasta mais líquida. - Como num passe de mágica! Abençoados pedaços de Ararambóia! – Anunciou abobada fitando a mistura ficar extremamente amarela. Deu pulinhos de alegria e abraçou a amiga alegre com o sucesso da poção. Depois que se separaram Charity apagou com a varinha o fogo e foi pegar os frascos inúmeros que jaziam em sua mochila de couro de dragão. – Finalmente… – Começou animada colocando vidrinhos entre os dedos mínimos. Até o cheiro forte e ruim parecia se amenizar. – Noites perfeitas de sono!
(Source: muggleheart-n-soul)
Grifinória provavelmente.

